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Items tagged with: homossexualidade
Tag was last used: Jul 7, 2009
 
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Posted By:  lulukabrasil
Posted On:  Jul 7, 2009

  Espanhóis criam a primeira igreja evangélica gay do país

ANELISE INFANTE da BBC Brasil, em Madri Um grupo de cerca de cem homossexuais espanhóis anunciou a criação da primeira comunidade religiosa para gays, lésbicas, bissexuais e transexuais --a Primeira Igreja Protestante Inclusiva. O grupo se define como "uma organização evangélica...... [view]

Posted By:  criscasty
Posted On:  Aug 7, 2007

  Desejos e Dilemas

Escrevi o texto abaixo faz 1 ano, mais ou menos, e acho que ainda vale a pena deixá-lo por aqui: Quando descobri que a reciclagem era apenas mais um recurso para dar continuidade ao nosso sistema capitalista e estender sua longevidade confesso: fiquei chocada! É, foi em uma aula de...... [view]

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  Raízes do Abuso Sexual Infantil

Submitted By:   criscasty
Author Name:  Silmara Barbosa
Published:  2007-01-19

Website:  http://carosamigos.terra.com.br/
  Description:   Sozinha na redação do jornal em que trabalho, recebi a ligação de um colega de profissão nos passando uma "pauta": senhor de 60 anos foi pego numa cidade vizinha mantendo relações sexuais com um menino de nove. Bem, de início, quero deixar claro que não sou repórter da editoria de Polícia e sim de Cidades. No entanto, a colega que normalmente cobriria a história estava doente e não compareceu ao serviço. Por isso, quando a secretária atendeu o telefonema e perguntou se eu poderia fazer aquela matéria, aceitei que repassasse a ligação para mim. Pensei que daria conta. Afinal, muitas notícias são publicadas a respeito desse assunto com certa freqüência. Se tantos fazem, por que eu não poderia? Mesmo com apenas dois meses de experiência em Jornalismo, acreditei que tinha essa capacidade. Como dizem os ingleses, o sino ainda não tinha tocado, ou, os brasileiros, a ficha ainda não caído. Então, liguei para o delegado responsável pelo caso. Ele me passou os dados iniciais sobre o acusado e disparou a contar o ocorrido: "o homem tirou a sua roupa e do menino também e deu R$1,00 para o menor pegar no seu pênis". E explicou porque não me poupava dos detalhes, apesar de eu não ter aberto a boca: "A senhora é adulta, se não fosse, não lhe diria essas coisas". E antes que pudesse protestar contra aquilo e o que ele pensava que era meu direito de ouvir seu relato do fato, o delegado continuou: "esse senhor pediu que o garoto se posicionasse para que pudesse penetrá-lo, mas não conseguiu, porque o menino gritou de dor quando ele tentou fazê-lo". Ainda em silêncio, meu corpo todo se contorceu. Mas ainda ouvi o resto: "Para se satisfazer o homem pediu que o garoto praticasse sexo oral nele, mas não sabemos se ele chegou a ejacular na boca da criança". Pronto. Ele tinha terminado a história, que parecia de certo indispensável ao meu trabalho, no seu ponto de vista. Após tentar recobrar um mínimo de tranqüilidade, procurei fingir normalidade perante o relato, pois imaginei que era assim que a maioria dos repórteres devia agir, e passei a discutir aspectos técnicos do caso com o delegado. Porém, não fui muito bem sucedida. Eu queria encerrar a conversa o mais rápido possível e não procurei apurar bem o fato, tanto que levei uma bronca de um editor no final do dia. Só então me dei conta: o assunto me incomodava e muito. Então lembrei que em algum momento do testemunho do delegado, o sino tocou. E de forma estrondosa. Parece que ainda o sinto tocar dentro de mim. Minhas mãos estão geladas e trêmulas. Penso que o assunto não é agradável para qualquer um, fora os pedófilos. No entanto, me parecia mais desagradável do que para os outros. Esses parecem ficar chocados e revoltados. Eu não consegui ter uma reação definida. Colocava-me no lugar da criança. Impassível, paciente, à mercê de seu predador. O sino acabava de despencar na minha cabeça. Eu já estive no lugar dessa criança. Relutei em me lembrar disso e busquei não me demorar nessa memória. A mesma paralisia de quem sofre abuso na infância tomou conta do meu pensamento. Logo despachei o delegado, para fingir que aquilo não estava acontecendo comigo. Ou que não tinha acontecido comigo. Por que ele me contou tudo tim-tim por tim-tim? "Será que ele fazia isso com tudo mundo?", perguntei a mim mesma, na minha ignorância. Então, por que não se publica essa parte desse tipo de história? Por que é muito feio? Ou muito real? Ou por que é verdade e como diz a sabedoria popular, a verdade dói? Pois ela dói muito mais com o silêncio. Não poder falar a respeito é um martírio que pode levar à loucura quem não suporta o peso dessa cruz. Queria saber por que vítimas desse tipo de abuso têm tão pouco espaço na mídia. Concordo que crianças não devem ser expostas e sim ter suas identidades preservadas. Mas, e depois, quando elas se tornam adultas? Por que elas só aparecem em documentários melosos que exploram suas histórias para apelar ao sentimentalismo barato da população? Ou, atrás das grades, quando também se tornam perpetradoras de abusos contra menores? Será que não existe outra saída para quem passa por isso, a não ser se tornar uma pessoa perturbada para o resto da vida? Bem, uma dessas crianças virou jornalista. E cansou do tratamento que o assunto recebe dos meios de comunicação. Eu acredito que sei mais sobre isso do que muitos especialistas que se arvoram donos da verdade quando a opinião de alguém é pedida sobre tão delicado tema. Não, não nos tornamos maníacos sexuais necessariamente, se alguém ainda tem dúvidas. Desejo por crianças é algo que não possuo. No entanto, nossa sexualidade pode ser desviada por causa desse tipo de experiência. Eu, por exemplo, por ter sido abusada por uma pessoa do mesmo sexo que o meu, uma babá, durante muito tempo acreditei que era lésbica. Porém, nunca fui capaz de fazer sexo com uma outra mulher de livre e espontânea vontade. Só agora, aos 26 anos, sei que o meu verdadeiro desejo é heterossexual. No entanto, passei pelo que todo homossexual passa: preconceito, dificuldade em se aceitar e se assumir. Mas eu o fiz: contei para meus pais, para o seu desgosto na época. Tentei amenizar a situação falando que tinha dúvidas se não era bissexual. Mantive relações sexuais com homens e descobri que tinha mais prazer na companhia desses, o que não foi nenhum alívio para mim. Por mais bisonho que pareça, não me aceito em quanto tal, já que minha experiência inicial não foi com alguém do sexo oposto. É como se eu tivesse que sair do armário de novo, pois eu mesma esperava algo diverso de mim. Acredito que ser homossexual ou bissexual é algo totalmente normal, desde que reflita um verdadeiro desejo de quem tem essa orientação. Passei quase uma década da minha vida lutando para acreditar nisso, enquanto imaginava que fazia parte dessas categorias de definição sexual, que, a meu ver, são usadas para rotular uma coisa muito volátil: o desejo – algo tão ridículo como tentar manter uma bolha de sabão dentro de uma garrafa por muito tempo. Porém, a maioria das pessoas não vê essas inclinações sexuais como algo saudável. É claro que todos fazem coro ao afirmar que não são preconceituosos, principalmente entre aqueles que se dizem mais "esclarecidos" . Todos os dias, onde trabalho, eu tenho que ouvir brincadeiras e piadas entre colegas do sexo masculino, inclusive da chefia, sobre sexualidade. Eles se acusam mutuamente de ser gays e gozam uns dos outros. Como se isso fosse motivo de vergonha ou de chacota. Porque é essa a mensagem implícita nesse discurso. Não vejo a menor graça nisso, mesmo me considerando heterossexual agora. Às vezes rio, creio que de tão nervosa ou por uma desesperada vontade de me encaixar naquele ambiente. No entanto, a insistência deles em comentar o assunto de forma tão galhofeira me levou a analisar esse tipo de comportamento. Contaram-me que isso acontece em outros jornais no Estado, o que não me consola de forma alguma, muito pelo contrário: me revolta. Acredito piamente que esse tipo de atitude é um dos fatores que leva ao abuso sexual infantil. Por quê? Eu explico: a maioria dos crimes é praticada por homens, que preferem a companhia de crianças por ser mais fácil lidar com elas, mais dóceis e obedientes aos seus caprichos e desejos, facilmente passíveis de dominação. Pois é isso que eles buscam: aceitação total de sua vontade. Não conseguem se relacionar com adultos de forma saudável, pois, em pé de igualdade com outra pessoa, sabem que tem que ceder em alguns momentos para manter um compromisso. Por isso preferem a companhia de meninas, que pouco ou quase nada questionam, ao contrário de uma mulher. Têm medo de se sentirem emasculados com cobranças femininas, pois ainda vivem no tempo das cavernas e prefeririam que elas pouco se objetassem aos seus comandos. E eles não querem abrir mão de suas fantasias, muitas vezes homossexuais. É uma hipocrisia muito grande a que leva ao preconceito contra gays, sendo que a maior parte da população mundial já teve pelo menos uma experiência com alguém do mesmo sexo. Mas quem decide se declarar como tal, sofre com a marginalidade em que precisa viver. E os homens que não são heterossexuais são tratados como mulheres, de forma desrespeitosa, por ter, de certa maneira, abandonado o privilégio de macho para se tornar uma fêmea na cama. É uma clara demonstração do valor menor que a mulher possui em nossa sociedade. Portanto, são levados a manter relações clandestinas e esporádicas, com garotos de programa, por exemplo, mesmo sendo casados e com filhos. Alguns passam a freqüentar casas de banho para o mesmo fim, se recusando a criar um vínculo afetivo com qualquer um do mesmo sexo. Mas a neurose é maior em outros, que têm dificuldade em admitir que sejam homossexuais até para si mesmos e evitam se relacionar sexualmente com alguém do mesmo sexo, mesmo que a possibilidade de serem descobertos seja quase nula. Isso pode levá-los a tentar satisfazer seu desejo com crianças. Afinal, para uma mente transtornada, são apenas brincadeiras. Usam os menores como objetos, já que se sujeitam com facilidade aos adultos. Alguém que fosse maior de idade poderia confrontá-los, mesmo que indiretamente, ao se tornarem um espelho do que realmente são: gays. Em suma, combater o abuso sexual e a prostituição infantis, através de leis e fiscalização mais severas, além de propagandas contra essa prática, não é o suficiente. É preciso uma mudança de mentalidade. Enquanto nossa cultura for machista, hipócrita e preconceituosa, isso vai continuar acontecendo. Se vivêssemos nossa sexualidade de forma mais saudável, como acreditamos erroneamente – por causa do carnaval e quase nudez nas nossas inúmeras praias – não seríamos campeões em venda de sexo. E de mulheres para isso, aqui e no exterior. Eu tomei um passo para quebrar esse círculo vicioso do silêncio. E você, o que pode fazer a respeito? Silmara Barbosa é jornalista Publicado na Revista Caros Amigos edição 118.
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