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ارسل بواسطة:  patch
Posted On:  Oct 2, 2007

  Comunicado del Equipo de Sacerdotes para las Villas de Emergencia

Comunicado del Equipo de Sacerdotes para las Villas de Emergencia Reflexiones sobre la urbanización y el respeto por la cultura villera Vivir en la villa nos hace comprender, entender y valorar la vida en ella de manera distinta a lo que se escucha habitualmente en el periodismo...... [view]

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  O sexo dos clérigos

سلمها:   criscasty
Author Name:  Tomás Eloy Martinez -The New York Times
Published:  0000-00-00

Website:  http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3770180-EI13527,00-O+sexo+dos+clerigos.html
  Description:   Quase se perdem na memória os tempos em que a Igreja Católica enfrentou desafios tão ásperos quanto os destes últimos anos. O que acontece não tem a profundidade do cisma litúrgico do bispo Marcel Lefebvre nem o fervor revisionista na interpretação dos Evangelhos que desencadearam a Teologia da Libertação, e sim as violações de uma obrigação que não é matéria de dogma, mas de continua perturbação: o sexo dos clérigos. Primeiro foram os delitos de pedofilia que, em dezembro de 2002, provocaram a renúncia do cardeal de Boston, Bernard Law, de quem se suspeitou de ocultação; 450 demandas milionárias por décadas de abusos contra menores deixaram a arquidiocese à beira da falência. Agora, mais uma vez, como costuma acontecer, o escândalo surge quando vem à tona algo que se tentava ocultar: a descendência do ex-bispo paraguaio Fernando Lugo. Aqueles atos aberrantes e a aparição de três filhos gerados pelo agora presidente do Paraguai durante os seus anos de ministério colocam em dúvida o valor da repressão sexual na vida católica. O bispo de Ciudad del Este, no Alto Paraná, Paraguai, Rogelio Livieres, disse que os seus pares sabiam sobre Lugo faz tempo. Não sei por que se mascaram os temas da Igreja e não se ventilam. Na nossa época isso é péssimo porque "tudo se descobre no final", afirmou Livieres. E encontrou uma instantânea refutação oficial: "O Conselho Episcopal Permanente lamenta e rejeita as expressões do monsenhor Livieres, que dá a entender que houve encobrimento e cumplicidade dos bispos do Paraguai sobre a conduta moral do então membro do colegiado episcopal, monsenhor Fernando Lugo". As palavras de Livieres lembram às que o argentino monsenhor Jerónimo Podestá, impulsor do Movimento Latino-americano de Sacerdotes Casados, escreveu, em 1990, ao então presidente do Episcopado Argentino, cardeal Raúl Primatesta: "Vejo com pesar que, em geral, vocês tenham uma visão bastante 'alienada' e tímida: não sabem o que pensam e sentem as pessoas no mundo de hoje. A Igreja é o Povo de Deus e vocês sabem disso, mas no fundo continuam pensando que vocês são a Igreja". Quando era bispo de Avellaneda na província de Buenos Aires, Argentina, no final dos anos de 1960, Podestá converteu-se em um pesadelo para a ditadura do general Juan Carlos Onganía. Reunia multidões de até 1 milhão de pessoas para cerimônias religiosas que se transformavam em espontâneas manifestações políticas. Para o regime foi um alívio que o bispo anunciara, em 1967, a decisão de se casar. Podestá bateu várias vezes na porta do Vaticano sem conseguir que Paulo VI lhe retirara a suspensão a divinis. Insistia em recordar que, se Jesus optou pelo celibato, não o impôs aos seus apóstolos, entre eles havia casados e solteiros. O ex-bispo de Avellaneda predicava que o celibato é um dom, não um mandato divino, e que nada impede de sentir a vocação sacerdotal ao estar privado dessa graça. A maioria dos católicos ignora que os sacerdotes e os bispos não tinham proibido o casamento durante os primeiros 10 séculos de vida cristã. Além de São Pedro, outros seis papas eram casados e - o mais chamativo ainda - 11 papas foram filhos de outros papas ou de membros da Igreja sem que essa linhagem afetasse a santidade dos seus atos. Até o Concílio de Elvira, que o proibiu no ano 306, um sacerdote podia, inclusive, dormir com a sua esposa na noite anterior a de celebrar a missa. Isso começou a mudar 19 anos mais tarde, quando o Concílio de Nicéia estabeleceu que, uma vez ordenados, os sacerdotes não podiam casar-se. Em 1073 Gregório VII impôs o celibato. Um dos seus teólogos, Pedro Damián, disse que o casamento dos sacerdotes era herético, porque os distraia do serviço ao Senhor e contrariava o exemplo de Cristo. Se a intenção do papa era restaurar a destruída moral do clero e purificar a paróquia com exemplos de castidade, dezenas de historiadores - incluindo os mais piedosos - supõem que a decisão de impor o celibato também foi um meio para evitar que os bens dos bispos e dos sacerdotes casados fossem herdados pelos seus filhos e viúvas em vez de beneficiar à Igreja. Em 1123 o Concílio de Letrán decretou a nulidade do casamento dos clérigos. Apenas a Igreja Oriental, que inclui Roma, admite sacerdotes casados, mas estes devem ter contraído o casamento antes da ordenação e nunca chegarão a ser bispos. Para os católicos, a passagem por este mundo é sacrifício e sofrimento, tal como escreveu Santa Teresa: "Vivo sem viver em mim, / e tão alta vida espero, / que morro porque não morro". Mas assim como o prazer do sexo fora do casamento está proibido pela doutrina, para as religiões védicas da Índia ele é um caminho de aprendizagem e um elemento de vida: "Atravessada por um ardor que lhe devora, a boca seca, se arrastará até mim, doce, sem ira, toda minha, a voz terna, fiel", diz uma oração hindu para ganhar o amor de uma mulher, no Atharva-Veda. Qual é o sentido de reprimir as expressões da sexualidade, não apenas entre os clérigos, mas também na vida diária? O que ganha a fé católica com isso? Teme-se que o prazer distraia da oração, da relação com Deus, mas o desprezo pela mulher nos seminários e a contradição dos impulsos naturais do homem na realidade não fortalecem os vínculos entre a Igreja e o povo de Deus. Ao contrário, o celibato obrigatório costuma desanimar algumas vocações sacerdotais e provoca deserções no clero. Acreditava-se que "a vigente lei do sagrado celibato" devia seguir "unida firmemente o ministério eclesiástico", Paulo VI, atento aos clamores da modernização do Concílio Vaticano II, analisou as objeções em uma encíclica memorável, Sacerdotalis caelibatus, de 1967. Ali foi perguntado: "Não terá chegado o momento de abolir o vínculo que, na Igreja, une o sacerdócio ao celibato? Não poderia ser facultativa esta difícil observância? Não sairia favorecido o ministério sacerdotal se fosse facilitada a aproximação ecumênica?" Por acaso Deus não se preocupou com os deslizes do ex-bispo Lugo, porque a sua glória está além do que estabelecem os seres humanos. Mas a inflexibilidade da doutrina deixa entre os católicos a pergunta sobre o sentido e as normas criadas pela Igreja há 10 séculos, que não existiam antes e não teriam por que existir para sempre. Jesus predicou a humildade, o amor a Deus e aos seus semelhantes. Suas lições de vida continuam sendo claras. Às vezes, no afã por interpretá-las, os seres humanos as escurecem.
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