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Soumis par:  criscasty
Posté le   Aug 7, 2007

  Desejos e Dilemas

Escrevi o texto abaixo faz 1 ano, mais ou menos, e acho que ainda vale a pena deixá-lo por aqui: Quando descobri que a reciclagem era apenas mais um recurso para dar continuidade ao nosso sistema capitalista e estender sua longevidade confesso: fiquei chocada! É, foi em uma aula de...... [view]

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  Um rancho e um violão

Envoyé par:   criscasty
Nom de l'Auteur:  Eduardo Carvalho
Publié :   2005-09-02

Website:  http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=1707
  Description:   Assisti a três filmes recentemente que me marcaram muito: Barry Lyndon, Leopardo e Dois Filhos de Francisco. Não acho que estão todos na mesma categoria. O primeiro foi uma lição estética; o segundo, um discurso moral; já Dois Filhos de Francisco foi principalmente uma educação sentimental. A história de Zezé di Camargo & Luciano é um exemplo de como a esperança e a persistência individuais podem superar os limites de um ambiente pequeno. O que menos importa no filme é se a música deles é boa ou bonita. As principais dificuldades da dupla são muito parecidas com a de muitos grandes artistas, ou, se quiser, pessoas de sucesso – falta de apoio inicial, mesmo dos amigos e do público; pouco ou nenhum dinheiro para bancar o risco do começo; acidentes traumáticos que quase enterram sonhos. A experiência de Zezé di Camargo & Luciano não é restrita ao universo musical nem sertanejo. O drama da dupla é universal. Dois Filhos de Francisco tem todas as características para ser maltratado pela crítica mais decente. A história é convencional e sentimental. Uma família da roça, pobre e enorme; um pai que quer que os filhos se destaquem na música para sair da mediocridade, e se dedica incansavelmente a isso; um dos meninos que formava a primeira dupla da família morre; o outro segue uma carreira de pequeno sucesso, solitária; até que um terceiro irmão propõe uma parceria, eles formam outra dupla e – sempre com a força do pai – se transformam em Zezé di Camargo & Luciano. O enredo é banal. Mas o que importa é que ele é verdadeiro, real. E por isso é impressionante. É um clichê, por exemplo, a cena dos dois meninos cantando na rodoviária, tristes, e aos poucos emocionando as pessoas em volta. Só que aconteceu assim. E se a arte proíbe cenas batidas e é, na essência, inimiga dos clichês, a vida está cheia deles. Ou milhões de pessoas não teriam se encantado com uma música chamada "É o amor...". Eu gostaria muito, aliás, que esse estilo sertanejo, brega como é, fosse mais bem recebido por quem comanda o bom gosto musical no Brasil. Fiquei contente, portanto, que Caetano Veloso tenha assinado a trilha sonora do filme. Mas essas duplas merecem mais. Tem muito samba fraco, por exemplo, que é respeitado – especialmente por quem se considera elegante – só porque vem do povo. E a música sertaneja moderna, contemporânea, é desprezada com insistência, porque se romantizou e se misturou com country para vender mais. Quer dizer: para se adaptar ao "gosto do povo". Não vejo problema nenhum nisso. Quem se diz com gosto variado, elástico, que gosta tanto do erudito quanto do popular, precisa entender que não há nada mais popular do que esse romantismo caipira. Zezé di Camargo & Luciano são muito mais autênticos do que a maioria dos cantores de suposta qualidade que apareceram ultimamente. O sorriso e o choro dos seus fãs – nos shows e, agora, nos cinemas – é impossível de ser simulado. São sempre expressões honestas, de gente que trabalhou e sofreu, e que se identifica com a historia da dupla. Não me interessa se o cinto do Luciano é cafona ou se ele deveria abotoar a camisa dois furos acima. Não importa que as notas e os versos de suas musicas sejam simples. A emoção despertada é verdadeira. Estamos todos liberados para chorar no final. Não existe outra igual no sertão Há três anos eu não ia para a Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos. O auge da Festa foi de 97 a 99, quando ainda, quem se lembra?, existia os Amigos: Leandro & Leonardo, Chitãozinho & Xororó e Zezé di Camargo & Luciano – todos juntos no palco. É engraçado como ainda hoje, em São Paulo, esbarro com gente que estava naquele show relâmpago do Garth Brooks, em 98. Você encontrava lá aquele pessoal com quem estudou na escola, os amigos do cursinho, do clube; os amigos dos amigos e aquelas pessoas que você vê em todos os lugares, mas não sabe o nome. Os ranchos estavam cheios de atores, cantores, jornalistas, empresários famosos. A gente saía de São Paulo na sexta-feira à tarde, com motorista, para aproveitar a noite de sexta e o fim-de-semana em Barretos. Nos postos de gasolina, na estrada, você já ia falando com todo mundo. Depois parece que a moda country desapareceu; ficou brega. Barretos lotou ainda mais e a Festa cresceu mais rápido do que a sua estrutura suportava. Pegou fama de ser uma bagunça e de só ter homem. Conseqüentemente – em 2000, mais ou menos –, a freqüência diminuiu. Eu mesmo, como disse, não estive lá nos últimos anos. Mas sabia que o modelo da Festa foi melhorando. Como se fosse para, agora, na comemoração de 50 anos, a Festa de Barretos se recuperar integralmente. Fiquei contente em ver o Rodeio lotado; em rever amigos que há anos não passavam por lá; em reparar que o Parque do Peão está mais limpo, organizado. Muita gente em São Paulo querendo voltar a (ou conhecer) Barretos. Talvez a novela tenha ajudado. Só que a Festa não atravessou 50 anos se apoiando em moda apenas. A principal atração, desde que tudo começou, é o rodeio. Que é uma espécie de mistura de carnaval com tourada. Muita música, muito barulho, muita propaganda, muita gente, num ambiente que, para uma única pessoa, é de altíssimo risco. O clima do evento é interessante, curioso. Não tem nada igual em nenhuma cidade grande nem em outro país. Aquele Brasil profundo, simples e honesto, aliás, que muita gente procura nos cinemas de São Paulo, está praticamente inteiro em Barretos. Basta ir lá e ver.
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  Zezé solta o verbo contra críticos, artistas e TVs - Jornal O Estado de São Paulo

Envoyé par:   criscasty
Nom de l'Auteur:  Zezé Di Camargo para o Estado de São Paulo
Publié :   2004-06-14

Website:  http://www.estadao.com.br/arquivo/arteelazer/2004/not20040614p5469.htm
  Description:   Primeiro lugar na preferência de jovens entre 15 e 24 anos, ao lado do irmão Luciano, Zezé fala ao JT sobre a resistência da mídia ao sertanejo O tempo em que Zezé Di Camargo e o irmão Luciano olhavam o mar e diziam "nossa, que ´corrrgão grande´!" está bem distante. Luciano, diz Zezé, é um devorador de livros com cultura para esfregar no ego de muitos críticos literários. Zezé, por sua vez, se define como um raro e afiado expert em política e questões sociais. Seus feitos na música são mais evidentes. Quase 14 anos de carreira renderam mais de 20 milhões de discos vendidos no País. Um de seus DVDs é recordista em vendas. E na maior pesquisa para se traçar o perfil do jovem brasileiro, realizada pela ONG Instituto Cidadania, a dupla lidera na preferência musical. Sorte de quem os aprova, desgraça de quem os desdenha. Zezé Di Camargo & Luciano estão mais fortes do que nunca. Um filme biográfico estreará em 2005 e uma caixa com sete discos, 100 músicas ao todo, acaba de ir para as lojas. Em entrevista ao JT, Zezé solta o verbo contra críticos, artistas do próprio meio e emissoras como a MTV. Foi uma surpresa saber que os jovens ouvem tanto a sua música? Zezé Di Camargo - Não. Há uma coisa que me intriga. Canais como a MTV e o Multishow falam para os jovens mas levam artistas que não vendem tantos discos assim para eles. O perfil musical do Brasil ampliou. Mas essas pessoas continuam levando um Nelson Motta da vida - que há 30 anos não faz nada para a música brasileira e que vai para a "Ilha de Manhatan" quando aparece qualquer dificuldade no Brasil - para apresentar um prêmio. A MTV tentou incluir artistas sertanejos há uns três anos em sua programação, mas voltou atrás... Falo mais uma vez embasado na pesquisa que aponta que os três artistas mais ouvidos por jovens entre 15 e 24 anos são Zezé Di Camargo & Luciano, Leonardo e Caetano Veloso. Eles (a MTV) estão fazendo programação para um gueto. Se você analisar bem, o ibope da MTV nunca mudou. E não mudou por isso, porque ela continua presa àquela galera de quinze anos atrás. Posso estar aqui batendo em uma emissora que dá o maior espaço para a minha filha (Wanessa Camargo), mas se você vir a entrega de prêmios da MTV, verá que ela continua ligada à mesmice. Os personagens que a freqüentam são sempre os mesmos. Você e seu irmão são apontados pela crítica como dois vilões que trabalham contra a qualidade da música brasileira. Em algum ponto a crítica está certa? Os críticos não podem escrever nem para eles, nem para meia dúzia de amigos deles. Mas a maioria está presa ao que o amigo diz. Muita gente fala que não gosta de nós para não ficar mal com o amigo de faculdade. Eles nos chamam de alienados mas são mais alienados que nós. Estão presos às satisfações que têm de dar aos amigos. Não ligo para isso e tenho um compromisso muito sério com o meu público. Prefiro cantar para 50 mil pessoas na pecuária de Uberaba do que para meia dúzia no Tom Brasil de São Paulo. Há preconceitos na mídia? Não entendo algumas coisas. O SBT, quando precisa de um ibope, convida um artista sertanejo. Mas há cinco anos não existe a modalidade sertaneja no troféu imprensa. A música que mais vende no País não tem espaço em um canal popular. O sertanejo é mais popular do que o samba? O sertanejo vende três vezes mais do que o samba. Se ouvir as rádios, verá que entre as dez músicas mais tocadas, cinco ou seis são sertanejas. Você diz que tirou a música sertaneja do ostracismo mas não a grava em estado puro. Por quê? Nós fomos o elo para fazer as pessoas conhecer duplas sertanejas tradicionais que estavam totalmente esquecidas. Se não existisse o sucesso de Zezé & Luciano, Leandro & Leonardo ou Daniel, muita gente nem saberia que estas duplas existem. Se a gente estivesse cantando com uma violinha "há tempos eu fiz um ranchinho..." não iríamos chegar a um horário nobre da Rede Globo. Se eu cantar É o Amor no Faustão, ele pára para me ouvir. E depois de cantar É o Amor eu posso cantar a Tristeza do Jeca que ele me ouve também. É melhor cantar Tristeza do Jeca ou É o Amor? É o Amor disparado. Mas, nas horas de ouvir rádio, prefiro Tristeza do Jeca. O Luciano falava informalmente, antes da entrevista, sobres livros que leu de Dostoiévski, Humberto Eco... O Luciano é um devorador de livros. É por isso que eu digo. As pessoas têm de aprender a separar as coisas. Não quer dizer que é porque você escreve para a Folha de S. Paulo ou para O Estado de S. Paulo que você sabe mais do que eu sobre política, por exemplo. Há poucos críticos culturais no Brasil que têm o conhecimento de literatura que o Luciano tem. A gente não é o perfil daquilo que a gente canta. O Luciano é um devorador de livros. E você? Qual o seu lado que as pessoas não conhecem? São poucas as pessoas que têm o conhecimento que eu tenho sobre política e sobre problemas sociais. Criticam a gente sem saber quem somos. Estas críticas se estendem para a Wanessa, sua filha? A Wanessa já conquistou independência como artista. Ela hoje tem um posicionamento, uma maneira de pensar. Já passou por coisas que a Sandy não passou ainda. Musicalmente, a Sandy está .... porque tem uma carreira bem maior que a da Wanessa. Mas, como pessoa, a Wanessa está muito à frente da Sandy. Se colocarem a Sandy e a Wanessa em um festival com fãs radicais e tatuados do Sepultura, a Sandy corre muito mais o risco de ser vaiada do que a Wanessa. Esta postura recatada da Sandy não seria intencional? Não acho intencional. A Sandy já deveria ter tomado uma posição. Se você me perguntar: "O que é mais fácil? Ser pai da Sandy ou da Wanessa?" É mais fácil ser pai da Sandy. Mas como ser humano, formação, pessoa, a Wanessa está quilômetros à frente. Como pai eu vou brigar com a Wanessa. Mas se estivesse de fora, falaria: "Wanessa, você é f..."
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